quinta-feira, 21 de abril de 2011

viagem ... 2)

iniciei uma viagem ... iniciei a caminhar
uma viagem começa quando se dá o primeiro passo
o que fazer quando se está cansado ? quando o caminho fica tortuoso, pedregoso e agreste
o que fazer quando o passo seguinte dura uma eternidade ...
e se o passo seguinte é um abismo ...

viagem entre o nada como entrando de lado pela frincha que a parede tem
como que um castelo que estivesse em ruínas e quisesse entrar e demorar-me por entre
as salas e olhasse e, olhando em frente visse o infinito ou mais além
como se a exaustão me fizesse ver o que não está lá
miragens visões

de memórias vindouras e  passadas o vento destapa o véu que as encobre
muito suavemente ou num ápice se vislumbra o que é para ver

viagem entre dimensões, uma torre de cristal e as sombras
as teias das memórias que ficaram e que são recolhidas em breves instantes
as paredes vazias e cheias de ... sonhos, recordações lembranças de dias e noites
escondidas na brumas no tempo que ficou

guerreiros magos donzelas e damas e seus consortes
archotes ... corredores e corredores janelas portas altas sem vidraças
as cortinas inexistentes e a neblina

mesas banquetes vassalos e saltimbancos bobos e cortes
e agora os meus olhos apenas vêem ferros retrocidos e pedras derrubadas
quais portais no tempo onde paira uma imagem
uma ventania se levanta e a poeira rodopia e não existe lugar que não seja este lugar

na minha viagem onde me levarão os meus passos ??
para onde me levam meus pensamentos será que vão sozinhos ou minha alma também vai ?
vou só ... porque sim porque assim é !!

no silêncio apenas se ouve o vento que passa pelos muros derrubados
pelas pedras abandonadas pelas plantas pelos galhos caidos
e pela dor que ficou esquecida ... pela poeira
as vidas perdidas, as espadas partidas
os poemas o amor a fadiga

passos que darei um dia . se seguir viagem . a minha viagem

que viagem ??
aquela que percorro e percorri por estranhas paragens . solitárias colinas
prados verdejantes, vales desencantados, encantados perdidos no tempo
e o vento empurra-me
vai ...  vai ...

meus passos me levarão aonde quero ou onde tenho que ir ??

quarta-feira, 20 de abril de 2011

....Y

Apetece-me escrever , mas de quê??? os tempos estão dificeis mas não gosto de politica, embora tudo tenha politica e eu não quero falar sobre este assunto ...

mulheres .

as mulheres da minha vida, as minhas avós, a minha mãe, as minhas filhas ...
outras passaram sem deixar rasto .
uma presente na minha vida, mas tem algo de inacessível

conversas de mulheres, circulos de mulheres faz pouco tempo que tive acesso a esta descoberta, mas é muito limitada, pois é algo como que ...

a tomada de consciência do feminino é nova, embora tenha vivido sempre dentro do meu corpo e da minha alma, foi o que sempre fui . mas existe uma camada e mais outra e ainda outra em que posso descobrir mais e mais coisas ... embora esteja em mim é uma coisa que praticamente passa por nós sem que nos apercebamos que é algo extraordinário e maravilhoso - ser mulher

Na minha infância na minha adolescência na minha idade adulta nunca me confrontei com a ideia de ser outra coisa, nasci assim gosto de ser assim e gostarei de morrer assim porque é assim que sou Mulher
e a aprendizagens de novos assuntos é sempre um acontecimento prazeroso.

Por vezes sinto falta dessas conversas que nunca tive, que não foram faladas nem ditas. Saudades desses momentos que nunca existiram, dessa cumplicidade entre amigas, confidentes que nunca serão jamais conversadas .

Momentos assim ao fim da tarde ...

terça-feira, 19 de abril de 2011

no nosso coraçao, vive

a esperança é um sentimento caloroso verde e claro
em campos azuis e vindouros vermelhos alaranjados vales
na madrugada transparente na aurora magica tranquila ...

trilhos de estrelas ...
a esperança ardente dentro de nos leva-nos as brancas e alvas neves do norte

uma folha ao vento da ilusão na serena luz

Regina Spektor



achei lindoooo!!!

uma flor

A sensação que tenho por vezes é que a espiral
se alarga e estreita a um ritmo alucinante consoante a vibração
e rodopio vezes e vezes sem conta
e nesta conta o rodopio me aflige e agonia
e saio tonta e se não saio e continuo a girar na espiral
me lamento e atordoada no medo que me assola
e fico indecisa

esse vento me acalma e como um mensageiro
as palavras ao certo não ficaram gravadas
mas quando as canto saem certas  ...concretas e definidas
com um ritmo e ao seu ritmo um tempo para um tempo sem tempo

o vento é um não ser e ser que ao soar nos encanta e seduz
e o seu canto ou o seu lamento traduz tudo ou o nada
que aí houver ou no silêncio que se faz ouvir


por vezes a sombra oculta a mensagem mas as
trevas duram apenas instantes até que nossos ouvidos
filtrem os sons e a melodia do vento que passa se faça ouvir
e é apenas uma flor a cair ...
e o vento apanha-a e leva-a nos seus braços
até que ...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

?! viagem

o vento traz-me noticias de longe
vêm embrulhadas numa folha de árvore
caiu em cima do parapeito da minha janela
a minha alma voou

em busca de novos horizontes
a ventania enrodilhou-me os pensamentos e o tempo
tempos antigos ... tempos que virão
frases gravadas na areia do tempo
que dirão ???

miragens, fábulas
animais quimeras sonhos e viagens
no torpor de um sonho
a luz atravessa o limbo e rodopia
rodopia nas espirais entrelaçadas das cores

e uma voz ecoa ...
será a voz do vento através da névoa indefinida
entre o real e o irreal 

sexta-feira, 15 de abril de 2011

descubro que às vezes
aqueles que pensamos que são afinal nada são ...
e aqueles que pensamos nada serem afinal tudo são
descobertas ..
o nosso caminho polvilhado de crenças que fazem a nossa vida
e o nosso coração transformar-se
alquimias em nosso ser

o nosso caminho deveria ter flores mas, só escavando vemos
que as raizes estão muito mas muito encarquilhadas e raquiticas

por vezes as descobertas colocam em causa os sentimentos as emoções ...

É claro que tudo o que acreditamos é volátil pode mudar mas, uma parte faz parte de nós
é aquilo que somos e cresce junto connosco

a nossa vida é aquilo que fazemos com ela e junto dela outras vidas dando luz sombra e outra coloração
mas existe uma zona negra que não devíamos explorar ou que não devíamos vasculhar
pois os monstros existem ...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

nuvens no céu ...

estou exausta ...
as sombras iniciaram o seu reinado a luz retrocedeu  .. anoitece
as memórias esvairam-se em fiapos de teias
o céu a arder em borbotões de azul e amarelo alaranjado vermelho
as nuvens que passam passam ligeiras e não se detêm fico imóvel aguardando ...
não sei se a tempestade se a tranquilidade calma da tarde ao anoitecer

estou exausta e a minha exaustão aguarda
até que o cansaço desesperado se embeba de luar
um riacho corre em direcção ao mar .
um rio atravessa-se a meio e de um desfiladeiro
olha em volta até prescrutar o silêncio e um barco a navegar no horizonte ... o mar plácido
vêm à memória dias calmos e que virão dourados e cheios de alegria
e a tensão da exaustão se esvaindo torturada até ao desespero
vibrante confusa

uma mágoa sem melancolia sem dor sem tristeza, um olhar e
surpreendida no lago tranquilo o rosto que se vislumbra
é um rosto calmo e sereno ...
como as manhãs de verão pontilhadas de flores silvestres árvores de fruto ...
e riachos saltitantes

uma suave melodia soa pelos ares do entardecer ...
as nuvens no céu são brancas e formam desenhos de memórias esquecidas no tempo
tempos que aguardam outros tempos que virão e aqueles que se foram ficam gravados
nas areias finas de uma qualquer ampulheta ao sol
na poeira fina que fica e os passos marcados na solidão da tarde
a noite brilha de estrelas e a lua transcende

e sou apenas
e estou aqui à espera ...